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Mostrando postagens de 2013

ar

O que ela sabia era que, de tempos em tempos, quando a solidão batia à porta, corria a recebê-la num abraço impossível. Era tempo de sonho. Naqueles períodos, era como se o amor lhe escorresse da vida, ficando só, criatura-silêncio. Cercava-se então de vinhos e doces, que faziam companhia ao lado da cama. E era todo o amor que tinha por esses tempos a contar. Saudade, sentia. Sem saber de quê. (Era saudade de uma vida outra,um coração outro que vivia dentro dela quando havia corpo. E quando havia corpo, havia amor; havia amar e ela vivia mais falante no mundo - até mesmo as plantas escutavam sua voz pela manhã. Era saudade que doía antes do olhos lembrarem-se de outros olhos, sentimento distante e latente) E passava a noite assim, entregue aos lençóis, numa orgia que sem pressa a embriagava de toques e de repente ela crescia. Revolvia-se quase violenta; era bonita sem que ninguém visse. Inspirava
ninguém diz, mas eu vou de oito a oitenta em oitavos

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entende? é bem abstrato mas eu sou assim mesmo não esqueço
Duma hora pra outra, nego. Rio, digo que não sei, sinceramente revelo minha falta de palavras.
    Se teu sexo me encanta, não me finjo. Mas devo te avisar, por ser amiga, que intento ser do tipo mais livre. Me desapego por escolha; livre até mesmo de meus desejos, se assim me for conveniente.     Por isso me basta te olhar, sem que meus olhos procurem esconder-se. Não há mal em ser vulnerável e nem vergonha na exposição.     Não me nego, dissimulo ou manipulo. Desabrocho em cor, existindo pro mundo ver, existindo sem me perder em flor.
às vezes é difícil entender as pessoas. O comportamento delas. A vida se apresenta misteriosa. Gosto disso. Mas sinto falta de mais malícia, me sinto boba. Ingênua criança, mas é tempo de crescer. E o sol já não escorre de vermelho Não consigo dormir, tantas coisas se passando, eu tô querendo mais é viver! Mas amanhã acordo cedo, entrego trabalho e mais tarde tem encontro na praça da sé, eu vou.
Eu na multidão, água da chuva nos meus cabelos. O frio me petrificando até os ossos, eu danço. No palco canta-se e a pequena cidade vibra. Do mar de gente, uns olhos me encontram. Escuto um instante de silêncio e sinto a euforia coletiva suspender-se. É breve, logo voltamos todos a dançar de olhos fechados. Mas aqueles olhos me buscam e eu não evito ser achada. Olhos nos olhos, sorrio. Meu sorriso voa por sobre as cabeças e atinge em cheio seu alvo. Danço. De olhos fechados, sinto a multidão se alterar. Olho: seus olhos me olham, seu corpo a meu alcance. Ele se aproxima sem dizer palavra. A música perde seu som, o amontoado de corpos dançantes perde sua cor. Eu olho pros olhos. Os olhos me olham e se aproximam. Muito próximos, fecham-se. Fechados, me encontram. Sou lábios e mãos, sua pele é quente. O corpo febril por debaixo do couro do casaco. A carne pulsante por debaixo do couro da pele. Beijos de areia suave, meus sentidos em câmera lenta. Ele diz coisas em meu ouvido, seu sota...
co.ra.gem. - Do latim coraticum (cor + -atĭcum): associação entre a palavra latina cor, que tem como um dos significados a palavra coração, e o sufixo latino -atĭcum, que é usado para indicar a ação da palavra que o precede; agir com o coração. amar. devorar.  mergulhar.  doar. aceitar. desfazer. inundar. -(se) transbordar (se)
Minha saliva ardida nos teus olhos e o som da minha voz na tua boca dizendo rouca: não quero amor Sequer haja silêncio é bom que se desconfie: não só de palavra se faz verbo Do teu ouvido escorre o sangue das palavras não ditas e em meio a lágrimas tímidas você sorri. Minhas pernas procuram tuas mãos suadas, que me puxam Olho a bola do teu olho e não sinto nada Você me toca com lábios úmidos e ainda sorri Um sorriso trêmulo Tenho raiva da tua boca de palhaço Mas te reconheço com ternura Dentro de mim, sua boca ri uma risada escandalosa e depois me morde, me mastiga e me cospe. Meu vômito no teu peito corrói Mas você ainda sorri e pisca pra não ver Eu enfim engulo minha voz e te olho sem fim Teu sorriso sangra (pra dentro de ti você devora o sangue) e você não morre de tédio Te dissolvo em sal e me afasto Púrpura de sede e fome de outros olhos
às vezes eu me sinto tão viva que dá vontade de nunca dormir. Só estar desfrutando a vida do mundo. mas dormir também é vida, sonhar talvez e no fim, dormir pra nunca mais esquecer
Quarta com jeito de terça. Ela ralha comigo por qualquer coisa à toa, eu escuto a superfície de suas palavras e sento na cadeira de frente ao computador. Ali, diante dos meus olhos e ao alcance do meu indicador, inúmeras possibilidades virtuais; janelas que revelam realidades radicalmente diferentes e se intercambiam rapidamente diante de mim, transformando-se e transpondo-se umas às outras. É tão fácil abstrair no que é virtual.
Essa noite dormi e sonhei com um rio de águas geladas. Eu sentia o molhado na minha pele e me abandonava à correnteza, boiando sem pressa. Acordava com seu beijo quentinho nos meus lábios entreabertos. Seu corpo perto do meu o suficiente pra sentir seu cheiro doce e fresco, sentir o ar que sai do seu corpo roçar no meu rosto, seu olhar me atravessando a carne e meu coração quase assustado me botando à flor da pele. Quando abri os olhos, era pássaro.
O que eu diria a meu filho num dia ensolarado: querido, proteja-se do Sol. Por que se você não se proteger, machuca. O Sol se manifesta em tudo que vive, vai se manifestar em você também. Sua pele fina vai queimar e gritar ESTOU VIVA, e você vai então carregar a memória do Sol por onde passar. ( o Sol vive dentro de tudo Tudo vive dentro de tudo., pois somos apenas arranjos dos mesmos elementos. Porém, únicos. Um um dois três quatro cinco seis Somos nossas conexões com o mundo com a vida com o outro comigo. Tudo pode ser conectado, é só ter a alma agigantada. muito amor uma pitada de sexo (uma boa pitada) arte, lua e sol que nasce no horizonte . . . . . . . . . liberdade e Sol ) portanto, meu amor passe protetor
Acordo no escuro. Minha camiseta quente nas costas. No meu ouvido, a respiração lenta e densa de seu corpo adormecido. Não passa ar dentro de mim. Estou muito desperta. Olhos abertos pro breu, acordada enquanto ele dorme, sou lúcida e fria. Nossas peles coladas não aplacam a distância que há entre nossos corpos - a intangibilidade de nossas almas permanece (intocada), tão viva e real e presente como uma rocha que se impõe na areia da praia. Na areia está, apesar de tudo. Por trás de todos os olhares e carícias e palavras doces, o abismo entre o que nos habita ainda se faz, brutal. Me viro com cuidado e saio das cobertas. Sento e permaneço no silêncio alguns instantes. Levanto na escuridão e vou ao banheiro. Diante do espelho acendo a luz, que à princípio ofusca meus olhos, mas logo vejo, do outro lado da pia duplicada, um rosto pálido. Meu rosto pálido. Olhos nos olhos, procuro. Ver a verdade. O que verdade? Olhar desnudado, coração atento no peito aberto. Peito quente, camiseta co...
Usufruo de cinco (mil) sentidos básicos para viver. Me apego a eles para estar no mundo, perseguindo presenças e instaurando instantes. Me movo buscando a confirmação de que vivo [vivo buscando a evidência de estar viva]. Me entrego a sentidos encarnados de raízes que se estendem à unidade da qual esqueço ser parte, entrelaçando-nos. Me alimento de estrelas, poeira universal. Me sinto me
Chego tarde em casa, cansada porém feliz. Um daqueles momentos de vida, de entrega aos movimentos e desejo de travessias. Desejo ser vivida. Minhas roupas carregam o cheiro de cloro e deleite. Sinto o abismo do tempo sob meus pés, me embalando em dança o peito cheio de luz. Os corpos exercem sobre mim infinitas forças que me empurram e puxam pelo espaço. Tudo é um milagre. Tudo me faz chorar lágrimas lívidas de amor. Creio no futuro e nos encontros que serão. Carrego em mim a incompletude Divina e a fé prateada no que ainda não é Acima de tudo, acredito ser
Às vezes eu tenho vontade de ter o teu corpo. Tenho saudade de me inclinar na janela pra olhar o céu escuro, já sem estrelas, e te sentir se aproximando com toda a tua delicadeza, me tateando pelo quadril e subindo pelas costas. Você me abraça forte, acho que também olha pro céu. Um dos raros momentos em que você se cala. E nós ficamos ali, debaixo da noite, compartilhando o silêncio. Talvez eu valorize tanto o teu silêncio por que nele há espaço pra dúvida, há espaço pra que eu acredite que você me deixa tocar a tua alma e assim, sinta a minha sendo tocada. Como naqueles momentos em que a gente se encara, olhos nos olhos, entre um beijo e outro, ou durante a noite, na cama; e eu penso que te vejo, penso que você está se dando inteiro pra mim naquele e para aquele momento. O problema é que em geral você tá sempre falando e colocando muralhas de palavras entre nós, e aí eu já não sinto muita coisa, vou me afastando até me recolher num silêncio muito próprio. Se não é pra ter o te...
Todo dia a moça vem almoçar. Senta sozinha, passeia pelo cardápio e escolhe um prato. Hoje foi o nhoque verde ao molho sugo. Enquanto espera a saladinha de entrada, sempre mexe no celular. Fica jogando um joguinho de eliminar cubos de uma pilha gigante. Cubos da mesma cor são eliminados de uma só vez com um simples toque da ponta do dedo indicador. Ela joga, mas parece pouco entretida. Seu rosto carrega tristeza, as sobrancelhas preocupadas sempre em direção ao chão, derretendo sem se moverem. A comida chega e ela começa a colocar pequenas porções dentro da boca. Come devagar, apesar de mastigar rápido. Nunca sorri. O nhoque está quente, ela espera sem pressa enquanto destrói mais cubos coloridos. Nunca olha ao redor; não se interessa pelas vidas acontecendo ao lado da sua. Parece sempre muito distante, como se o mundo que acontece dentro de sua cabeça estivesse a anos-luz deste em que senta e espera a comida esfriar. Ela diz que fez uma cirurgia que cortou o estômago dela ao meio...
O despertador tocou e eu escorri do sonho, mas trouxe comigo alguma sensação. No pé da cama. O que tem? Nada, é o sonho. Ela já não está na cama, deve ter acordado mais cedo e foi fazer café. Me situo, bem desperta mas ainda cansada. Encosto o rosto no travesseiro e relaxo o corpo. Quero aproveitar mais alguns instantes no conforto de uma cama, porque sei que serão os últimos por muitos dias. Ela entra no quarto.
Eu sou a maior parte de mim mesma. É muito, é bom. Hoje o L. apareceu com bolo na praia e foi tão simples e tão bom. Foi diferente de qualquer aniversário que eu me lembre de ter tido.
Meus olhos, duas janelas. No vento, elas conversam. É bom estar na estrada de novo. São quilômetros e quilômetros de pastos, terras desertas. Pra onde vai a humanidade?
(Sobre ele.) Eu gosto do jeito como ele gosta de mim. Gosto de como tudo começou, de como despertou algumas partes minhas há muito adormecidas. Foi como uma novidade e nisso havia emoção. Gosto de como ele teve a combinação justa entre iniciativa e delicadeza; urgência e tranquilidade que pôde me fisgar e me fez querer ir além e acabar me abrindo de uma maneira inesperada. Talvez o que me incomode seja querer continuar me abrindo e sentir que ele não veria, que já não vê além do que há. (Para ele.) Eu queria me emocionar mais. E queria que você me acompanhasse, ou ao menos quisesse querer mais também. Tenho pouco a dizer, parece que você só escutaria se eu não coubesse em mim de tantas palavras. Você não dá ouvidos para os meus sussurros. Eu poderia então gritar, mas a verdade é que eu mal saberia que formato dar à minha voz. Talvez eu sinta falta de alguém que perceba minhas fragilidades.
O cansaço me inspira. Falta de ar. Eu não fumo cigarros. Como. Que é que me alimenta? Sinto fome de quê? Quero ir direto ao centro, ao que poderia chamar-se essência das coisas. Num salto, conhecê-las e já penetrar seu cerne. Isso é violento; poucas coisas se dão com tamanha rapidez. Eu comeria tanta besteira agora. Preferiria me apaixonar. Onde está meu cerne? A que ou quem oferecê-lo? Respondo "ao mundo", mas é o mesmo que dizer "a nada". Quero o que é com .
Essa é pra você. Você, a primeira a ver muita coisa que eu escondo do mundo. A oposta pelo vértice e unida pela alma [?]. Você, que me puxa pela mão quando eu empaco por qualquer distração da vida. Que sabe olhar no meu olho e ouvir com amor quando eu mal sei o que quero dizer. Que me vê. E compreende. Que me ama e é amada. Que de repente apareceu na vida e ficou ali por perto, delicada e forte. E foi cavando meu coração, de pouco em pouco e muito em muito. E agora nunca mais sai. Eterna na minha pequena vida. Somos um. com muito amor e urucum, pra você (sempre)
Estou cansada [tão cansada] de só ver a vida passar. Sendo toda dela e não sendo de ninguém. Sendo toda ela e não sendo nada. Sendo? Vendo. pra ser, tem que deixar ver (por isso, a avalanche de postagens. textos antigos, sentimentos às vezes passados. mas tudo verdade. até o que é inventado.)
Na cachoeira não dá pra abrir os olhos. Tem de ser estar lá, entregue aos golpes da água, escutando sua voz em nossa pele.  (temo e desejo as profundezas)
Por desconhecer a própria sensualidade, temia alguns encontros. Era como se, em consequência dos anos de vida predominantemente passivos, houvesse aprendido a receber o mundo com tensão. Portanto, naquela noite de festa assustou-se ao sentir aproximar-se o momento em que ele a beijaria. Subiu para o quarto na primeira chance que teve sem dizer nada. Entrou no escuro, que logo se transformou em penumbra, revelando-se à luz da rua. Parou em frente à janela semiaberta, sua respiração curta embaçando o vidro. Lá fora, a chuva caía indiferente.
Acordo no escuro. Minha camiseta quente nas costas. No meu ouvido, a respiração lenta e densa de seu corpo adormecido. Não passa ar dentro de mim. Estou muito desperta. Olhos abertos pro breu, acordada enquanto ele dorme, sou lúcida e fria. Nossas peles coladas não aplacam a distância que há entre nossos corpos - a intangibilidade de nossas almas permanece (intocada), tão viva e real e presente como uma rocha que se impõe na areia da praia. Na areia está, apesar de tudo. Por trás de todos os olhares e carícias e palavras doces, o abismo entre o que nos habita ainda se faz, brutal. Me viro com cuidado e saio das cobertas. Sento e permaneço no silêncio alguns instantes. Levanto na escuridão e vou ao banheiro. Diante do espelho acendo a luz, que à princípio ofusca meus olhos, mas logo vejo, do outro lado da pia duplicada, um rosto pálido. Meu rosto pálido. Olhos nos olhos, procuro. Ver a verdade. O que verdade? Olhar desnudado, coração atento no peito aberto. Peito quente, camiseta co...
Tanta coisa pra dentro de mim se torna inacessível. Sabe aquela sensação de que você sabe fazer algo mas não consegue? sempre sinto o peso de todas as pessoas que eu poderia ser e não consigo.
É estranho, é paradoxal. Mas eu vejo como sou insegura. Como, no fundo, preciso saber dos meus próximos passos. Como não consigo simplesmente ir. ser. Me lembro de quando era muito pequena, e minha mãe me punha pra dormir, que eu sempre pedia pra que ela me narrasse como seria nosso dia seguinte; o que faríamos e quais lugares visitaríamos. Era o meu jeito de me preparar para o futuro próximo, que naquela idade é tudo que se conhece. Na vida adulta (ou jovem, pois ainda não tenho tamanha ousadia), tornei-me serena. Leve e calma. E fácil, muito fácil. Aceitadora nata dos fatos, do tipo que não se dobra toda quando seus planos dão errado. Aliás, eu aprendi a não fazer planos. Talvez eu tenha aprendido tão bem que deleguei ao mundo que os fizesse por mim. E o mundo foi vários e me levou a muitos lugares também. Alguns deles, incríveis. Outros, confesso que passei de olhos fechados pra não ver. Não os (re)conheci. Tantos lugares, tantos instantes. Sempre me preocupo em saber: quais de...