Só porque eu nunca soube o que queria. Só porque nunca fiz nenhuma escolha. Só porque sempre fui a indecisa, a que se deixa levar. A que gosta de tudo, a que todo mundo gosta - mas jamais amou. Nem última, nem primeira. Sempre a do meio, a que não se faz notar. Só porque eu estive em silêncio, só porque já não me basta estar só. Só porque o mundo é mundo. Só porque eu não sinto amor, terror, inveja, raiva, orgulho, prazer e nem medo - só me sinto só não sinto. Só porque a calma virou tédio, só porque a dor é minha também. Só porque estou aqui, só porque há vida. Só porque a vida acontece e o tempo só tem um sentido. Só porque daqueles olhos de criança já não escorrem lágrimas. só porque só escrevo