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Mostrando postagens de maio, 2013
Eu na multidão, água da chuva nos meus cabelos. O frio me petrificando até os ossos, eu danço. No palco canta-se e a pequena cidade vibra. Do mar de gente, uns olhos me encontram. Escuto um instante de silêncio e sinto a euforia coletiva suspender-se. É breve, logo voltamos todos a dançar de olhos fechados. Mas aqueles olhos me buscam e eu não evito ser achada. Olhos nos olhos, sorrio. Meu sorriso voa por sobre as cabeças e atinge em cheio seu alvo. Danço. De olhos fechados, sinto a multidão se alterar. Olho: seus olhos me olham, seu corpo a meu alcance. Ele se aproxima sem dizer palavra. A música perde seu som, o amontoado de corpos dançantes perde sua cor. Eu olho pros olhos. Os olhos me olham e se aproximam. Muito próximos, fecham-se. Fechados, me encontram. Sou lábios e mãos, sua pele é quente. O corpo febril por debaixo do couro do casaco. A carne pulsante por debaixo do couro da pele. Beijos de areia suave, meus sentidos em câmera lenta. Ele diz coisas em meu ouvido, seu sota...
co.ra.gem. - Do latim coraticum (cor + -atĭcum): associação entre a palavra latina cor, que tem como um dos significados a palavra coração, e o sufixo latino -atĭcum, que é usado para indicar a ação da palavra que o precede; agir com o coração. amar. devorar.  mergulhar.  doar. aceitar. desfazer. inundar. -(se) transbordar (se)
Minha saliva ardida nos teus olhos e o som da minha voz na tua boca dizendo rouca: não quero amor Sequer haja silêncio é bom que se desconfie: não só de palavra se faz verbo Do teu ouvido escorre o sangue das palavras não ditas e em meio a lágrimas tímidas você sorri. Minhas pernas procuram tuas mãos suadas, que me puxam Olho a bola do teu olho e não sinto nada Você me toca com lábios úmidos e ainda sorri Um sorriso trêmulo Tenho raiva da tua boca de palhaço Mas te reconheço com ternura Dentro de mim, sua boca ri uma risada escandalosa e depois me morde, me mastiga e me cospe. Meu vômito no teu peito corrói Mas você ainda sorri e pisca pra não ver Eu enfim engulo minha voz e te olho sem fim Teu sorriso sangra (pra dentro de ti você devora o sangue) e você não morre de tédio Te dissolvo em sal e me afasto Púrpura de sede e fome de outros olhos
às vezes eu me sinto tão viva que dá vontade de nunca dormir. Só estar desfrutando a vida do mundo. mas dormir também é vida, sonhar talvez e no fim, dormir pra nunca mais esquecer
Quarta com jeito de terça. Ela ralha comigo por qualquer coisa à toa, eu escuto a superfície de suas palavras e sento na cadeira de frente ao computador. Ali, diante dos meus olhos e ao alcance do meu indicador, inúmeras possibilidades virtuais; janelas que revelam realidades radicalmente diferentes e se intercambiam rapidamente diante de mim, transformando-se e transpondo-se umas às outras. É tão fácil abstrair no que é virtual.
Essa noite dormi e sonhei com um rio de águas geladas. Eu sentia o molhado na minha pele e me abandonava à correnteza, boiando sem pressa. Acordava com seu beijo quentinho nos meus lábios entreabertos. Seu corpo perto do meu o suficiente pra sentir seu cheiro doce e fresco, sentir o ar que sai do seu corpo roçar no meu rosto, seu olhar me atravessando a carne e meu coração quase assustado me botando à flor da pele. Quando abri os olhos, era pássaro.
O que eu diria a meu filho num dia ensolarado: querido, proteja-se do Sol. Por que se você não se proteger, machuca. O Sol se manifesta em tudo que vive, vai se manifestar em você também. Sua pele fina vai queimar e gritar ESTOU VIVA, e você vai então carregar a memória do Sol por onde passar. ( o Sol vive dentro de tudo Tudo vive dentro de tudo., pois somos apenas arranjos dos mesmos elementos. Porém, únicos. Um um dois três quatro cinco seis Somos nossas conexões com o mundo com a vida com o outro comigo. Tudo pode ser conectado, é só ter a alma agigantada. muito amor uma pitada de sexo (uma boa pitada) arte, lua e sol que nasce no horizonte . . . . . . . . . liberdade e Sol ) portanto, meu amor passe protetor
Acordo no escuro. Minha camiseta quente nas costas. No meu ouvido, a respiração lenta e densa de seu corpo adormecido. Não passa ar dentro de mim. Estou muito desperta. Olhos abertos pro breu, acordada enquanto ele dorme, sou lúcida e fria. Nossas peles coladas não aplacam a distância que há entre nossos corpos - a intangibilidade de nossas almas permanece (intocada), tão viva e real e presente como uma rocha que se impõe na areia da praia. Na areia está, apesar de tudo. Por trás de todos os olhares e carícias e palavras doces, o abismo entre o que nos habita ainda se faz, brutal. Me viro com cuidado e saio das cobertas. Sento e permaneço no silêncio alguns instantes. Levanto na escuridão e vou ao banheiro. Diante do espelho acendo a luz, que à princípio ofusca meus olhos, mas logo vejo, do outro lado da pia duplicada, um rosto pálido. Meu rosto pálido. Olhos nos olhos, procuro. Ver a verdade. O que verdade? Olhar desnudado, coração atento no peito aberto. Peito quente, camiseta co...
Usufruo de cinco (mil) sentidos básicos para viver. Me apego a eles para estar no mundo, perseguindo presenças e instaurando instantes. Me movo buscando a confirmação de que vivo [vivo buscando a evidência de estar viva]. Me entrego a sentidos encarnados de raízes que se estendem à unidade da qual esqueço ser parte, entrelaçando-nos. Me alimento de estrelas, poeira universal. Me sinto me
Chego tarde em casa, cansada porém feliz. Um daqueles momentos de vida, de entrega aos movimentos e desejo de travessias. Desejo ser vivida. Minhas roupas carregam o cheiro de cloro e deleite. Sinto o abismo do tempo sob meus pés, me embalando em dança o peito cheio de luz. Os corpos exercem sobre mim infinitas forças que me empurram e puxam pelo espaço. Tudo é um milagre. Tudo me faz chorar lágrimas lívidas de amor. Creio no futuro e nos encontros que serão. Carrego em mim a incompletude Divina e a fé prateada no que ainda não é Acima de tudo, acredito ser