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Minha saliva ardida nos teus olhos
e o som da minha voz na tua boca
dizendo rouca: não quero amor

Sequer haja silêncio
é bom que se desconfie:
não só de palavra se faz verbo

Do teu ouvido escorre
o sangue das palavras
não ditas e
em meio a lágrimas tímidas
você sorri.

Minhas pernas procuram
tuas mãos

suadas, que
me puxam
Olho a bola do teu olho
e não sinto nada

Você me toca
com lábios
úmidos
e ainda sorri
Um sorriso trêmulo
Tenho raiva da tua boca de palhaço
Mas te reconheço com ternura
Dentro de mim, sua boca ri uma
risada escandalosa
e depois me morde,
me mastiga e
me cospe. Meu vômito
no teu peito corrói

Mas você ainda sorri
e pisca
pra não ver

Eu enfim engulo minha
voz e te olho sem fim
Teu sorriso sangra
(pra dentro de ti
você devora o sangue)
e você não morre
de tédio
Te dissolvo em sal
e me afasto
Púrpura de sede
e fome de
outros olhos




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Estou cansada [tão cansada] de só ver a vida passar. Sendo toda dela e não sendo de ninguém. Sendo toda ela e não sendo nada. Sendo? Vendo. pra ser, tem que deixar ver (por isso, a avalanche de postagens. textos antigos, sentimentos às vezes passados. mas tudo verdade. até o que é inventado.)
co.ra.gem. - Do latim coraticum (cor + -atĭcum): associação entre a palavra latina cor, que tem como um dos significados a palavra coração, e o sufixo latino -atĭcum, que é usado para indicar a ação da palavra que o precede; agir com o coração. amar. devorar.  mergulhar.  doar. aceitar. desfazer. inundar. -(se) transbordar (se)
Acordo no escuro. Minha camiseta quente nas costas. No meu ouvido, a respiração lenta e densa de seu corpo adormecido. Não passa ar dentro de mim. Estou muito desperta. Olhos abertos pro breu, acordada enquanto ele dorme, sou lúcida e fria. Nossas peles coladas não aplacam a distância que há entre nossos corpos - a intangibilidade de nossas almas permanece (intocada), tão viva e real e presente como uma rocha que se impõe na areia da praia. Na areia está, apesar de tudo. Por trás de todos os olhares e carícias e palavras doces, o abismo entre o que nos habita ainda se faz, brutal. Me viro com cuidado e saio das cobertas. Sento e permaneço no silêncio alguns instantes. Levanto na escuridão e vou ao banheiro. Diante do espelho acendo a luz, que à princípio ofusca meus olhos, mas logo vejo, do outro lado da pia duplicada, um rosto pálido. Meu rosto pálido. Olhos nos olhos, procuro. Ver a verdade. O que verdade? Olhar desnudado, coração atento no peito aberto. Peito quente, camiseta co...