Minha saliva ardida nos teus olhos
e o som da minha voz na tua boca
dizendo rouca: não quero amor
Sequer haja silêncio
é bom que se desconfie:
não só de palavra se faz verbo
Do teu ouvido escorre
o sangue das palavras
não ditas e
em meio a lágrimas tímidas
você sorri.
Minhas pernas procuram
tuas mãos
suadas, que
me puxam
Olho a bola do teu olho
e não sinto nada
Você me toca
com lábios
úmidos
e ainda sorri
Um sorriso trêmulo
Tenho raiva da tua boca de palhaço
Mas te reconheço com ternura
Dentro de mim, sua boca ri uma
risada escandalosa
e depois me morde,
me mastiga e
me cospe. Meu vômito
no teu peito corrói
Mas você ainda sorri
e pisca
pra não ver
Eu enfim engulo minha
voz e te olho sem fim
Teu sorriso sangra
(pra dentro de ti
você devora o sangue)
e você não morre
de tédio
Te dissolvo em sal
e me afasto
Púrpura de sede
e fome de
outros olhos