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Às vezes eu tenho vontade de ter o teu corpo. Tenho saudade de me inclinar na janela pra olhar o céu escuro, já sem estrelas, e te sentir se aproximando com toda a tua delicadeza, me tateando pelo quadril e subindo pelas costas. Você me abraça forte, acho que também olha pro céu. Um dos raros momentos em que você se cala. E nós ficamos ali, debaixo da noite, compartilhando o silêncio.
Talvez eu valorize tanto o teu silêncio por que nele há espaço pra dúvida, há espaço pra que eu acredite que você me deixa tocar a tua alma e assim, sinta a minha sendo tocada.
Como naqueles momentos em que a gente se encara, olhos nos olhos, entre um beijo e outro, ou durante a noite, na cama; e eu penso que te vejo, penso que você está se dando inteiro pra mim naquele e para aquele momento.
O problema é que em geral você tá sempre falando e colocando muralhas de palavras entre nós, e aí eu já não sinto muita coisa, vou me afastando até me recolher num silêncio muito próprio.
Se não é pra ter o teu silêncio, prefiro não ter nenhuma parte tua. Prefiro ter saudade.


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Estou cansada [tão cansada] de só ver a vida passar. Sendo toda dela e não sendo de ninguém. Sendo toda ela e não sendo nada. Sendo? Vendo. pra ser, tem que deixar ver (por isso, a avalanche de postagens. textos antigos, sentimentos às vezes passados. mas tudo verdade. até o que é inventado.)
co.ra.gem. - Do latim coraticum (cor + -atĭcum): associação entre a palavra latina cor, que tem como um dos significados a palavra coração, e o sufixo latino -atĭcum, que é usado para indicar a ação da palavra que o precede; agir com o coração. amar. devorar.  mergulhar.  doar. aceitar. desfazer. inundar. -(se) transbordar (se)
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