Todo dia a moça vem almoçar. Senta sozinha, passeia pelo cardápio e escolhe um prato. Hoje foi o nhoque verde ao molho sugo. Enquanto espera a saladinha de entrada, sempre mexe no celular. Fica jogando um joguinho de eliminar cubos de uma pilha gigante. Cubos da mesma cor são eliminados de uma só vez com um simples toque da ponta do dedo indicador. Ela joga, mas parece pouco entretida. Seu rosto carrega tristeza, as sobrancelhas preocupadas sempre em direção ao chão, derretendo sem se moverem.
A comida chega e ela começa a colocar pequenas porções dentro da boca. Come devagar, apesar de mastigar rápido. Nunca sorri.
O nhoque está quente, ela espera sem pressa enquanto destrói mais cubos coloridos. Nunca olha ao redor; não se interessa pelas vidas acontecendo ao lado da sua. Parece sempre muito distante, como se o mundo que acontece dentro de sua cabeça estivesse a anos-luz deste em que senta e espera a comida esfriar.
Ela diz que fez uma cirurgia que cortou o estômago dela ao meio, deixando-o bem pequenininho,e desde então ela come muito pouco. Seu corpo largo suporta muito pouco. Ela então se conforma com seus cubos coloridos, desinteressada e sem fome.
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sinceridade.