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É estranho, é paradoxal. Mas eu vejo como sou insegura. Como, no fundo, preciso saber dos meus próximos passos. Como não consigo simplesmente ir. ser.
Me lembro de quando era muito pequena, e minha mãe me punha pra dormir, que eu sempre pedia pra que ela me narrasse como seria nosso dia seguinte; o que faríamos e quais lugares visitaríamos. Era o meu jeito de me preparar para o futuro próximo, que naquela idade é tudo que se conhece.

Na vida adulta (ou jovem, pois ainda não tenho tamanha ousadia), tornei-me serena. Leve e calma. E fácil, muito fácil. Aceitadora nata dos fatos, do tipo que não se dobra toda quando seus planos dão errado. Aliás, eu aprendi a não fazer planos. Talvez eu tenha aprendido tão bem que deleguei ao mundo que os fizesse por mim. E o mundo foi vários e me levou a muitos lugares também. Alguns deles, incríveis. Outros, confesso que passei de olhos fechados pra não ver. Não os (re)conheci.

Tantos lugares, tantos instantes. Sempre me preocupo em saber: quais deles foram meus, verdadeiramente? Em quais estive viva e presente, aberta e exposta ao tempo? Que caminhos percorridos foram fruto de escolhas? Quantos outros foram pura sorte?

Hoje, quero escolher. Mas com a segurança de que amanhã, sou livre para mudar. Com a fé de que o mundo é muito e o tempo é pouco. Mas há vida infinita.

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