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O que ela sabia era que, de tempos em tempos, quando a solidão batia à porta, corria a recebê-la num abraço impossível. Era tempo de sonho.
Naqueles períodos, era como se o amor lhe escorresse da vida, ficando só, criatura-silêncio. Cercava-se então de vinhos e doces, que faziam companhia ao lado da cama. E era todo o amor que tinha por esses tempos a contar. Saudade, sentia. Sem saber de quê.

(Era saudade de uma vida outra,um coração outro que vivia dentro dela quando havia corpo. E quando havia corpo, havia amor; havia amar e ela vivia mais falante no mundo - até mesmo as plantas escutavam sua voz pela manhã. Era saudade que doía antes do olhos lembrarem-se de outros olhos, sentimento distante e latente)

E passava a noite assim, entregue aos lençóis, numa orgia que sem pressa a embriagava de toques e de repente ela crescia. Revolvia-se quase violenta; era bonita sem que ninguém visse. Inspirava

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Estou cansada [tão cansada] de só ver a vida passar. Sendo toda dela e não sendo de ninguém. Sendo toda ela e não sendo nada. Sendo? Vendo. pra ser, tem que deixar ver (por isso, a avalanche de postagens. textos antigos, sentimentos às vezes passados. mas tudo verdade. até o que é inventado.)
co.ra.gem. - Do latim coraticum (cor + -atĭcum): associação entre a palavra latina cor, que tem como um dos significados a palavra coração, e o sufixo latino -atĭcum, que é usado para indicar a ação da palavra que o precede; agir com o coração. amar. devorar.  mergulhar.  doar. aceitar. desfazer. inundar. -(se) transbordar (se)
Acordo no escuro. Minha camiseta quente nas costas. No meu ouvido, a respiração lenta e densa de seu corpo adormecido. Não passa ar dentro de mim. Estou muito desperta. Olhos abertos pro breu, acordada enquanto ele dorme, sou lúcida e fria. Nossas peles coladas não aplacam a distância que há entre nossos corpos - a intangibilidade de nossas almas permanece (intocada), tão viva e real e presente como uma rocha que se impõe na areia da praia. Na areia está, apesar de tudo. Por trás de todos os olhares e carícias e palavras doces, o abismo entre o que nos habita ainda se faz, brutal. Me viro com cuidado e saio das cobertas. Sento e permaneço no silêncio alguns instantes. Levanto na escuridão e vou ao banheiro. Diante do espelho acendo a luz, que à princípio ofusca meus olhos, mas logo vejo, do outro lado da pia duplicada, um rosto pálido. Meu rosto pálido. Olhos nos olhos, procuro. Ver a verdade. O que verdade? Olhar desnudado, coração atento no peito aberto. Peito quente, camiseta co...