O que ela sabia era que, de tempos em tempos, quando a solidão batia à porta, corria a recebê-la num abraço impossível. Era tempo de sonho.
Naqueles períodos, era como se o amor lhe escorresse da vida, ficando só, criatura-silêncio. Cercava-se então de vinhos e doces, que faziam companhia ao lado da cama. E era todo o amor que tinha por esses tempos a contar. Saudade, sentia. Sem saber de quê.
(Era saudade de uma vida outra,um coração outro que vivia dentro dela quando havia corpo. E quando havia corpo, havia amor; havia amar e ela vivia mais falante no mundo - até mesmo as plantas escutavam sua voz pela manhã. Era saudade que doía antes do olhos lembrarem-se de outros olhos, sentimento distante e latente)
E passava a noite assim, entregue aos lençóis, numa orgia que sem pressa a embriagava de toques e de repente ela crescia. Revolvia-se quase violenta; era bonita sem que ninguém visse. Inspirava