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Por que as pessoas querem estar com outra pessoa? Por que procuramos companhia, nos apaixonamos, casamos? Por que aceitamos abrir mão de tantas coisas que nos fazem bem em nome de um relacionamento? Deixamos uma parte de nós de lado, dividimo-nos com outra pessoa. Por que escolher UMA pessoa com quem compartilhar intimamente nossa vida? Por que não dividi-la igualmente com várias pessoas? Por que escolhemos outro alguém para nos entregarmos, vivermos uma paixão, uma vida?


Me disseram que isso nos traz segurança. Segurança de quê? De que não morreremos sozinhos, de que teremos um corpo quente na cama, ao nosso lado enquanto dormimos? Segurança de que, não importa qual problema tivermos de enfrentar em nossas vidas, haverá alguém nos apoiando? Alguém para nos cuidar, nos fazer sentir querido, admirado, amado, talvez. Alguém em cujos olhos nos vejamos e saibamos: existo. Sou real. 




Eu não nego o amor, jamais. Tenho muito amor em mim, distribuo-o pelo mundo. O que me intriga é a paixão, o relacionamento amoroso. Ninguém nunca se questiona a respeito disso, as pessoas simplesmente se apaixonam umas pelas outras, vivem estas paixões, se juntam. E isso é intensamente humano. Mas há algo em mim que não se entrega, simplesmente, a essa ordem. 


Só quando não estou aqui. 
Quando viajo. Me entrego muito além de mim. E torço para ser levada, arrastada pela enxurrada do desconhecido. Me solto daquilo que é meu e abro em mim espaço para o mundo, só ele. Sem eu. (ou pouco eu)


Talvez seja por isso que aqui, não vou, não solto. Entre eu e ele, escolho eu. 
Quero um nós. Quero estar presente na troca - quero um olhar que me confirme: existo.


Preciso existir
no mundo e pra mim. 


Olhar no espelho e me encontrar. Olhar pro mundo e me encontrar
com outros mundos-pessoas


De onde vem a força de ser? Onde sou eu?




A Verdade está além das palavras, sem nome. 

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